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Quando se considerar um criativo, com Victor Mazzei

Quando se considerar um criativo, com Victor Mazzei

O sujeito criativo costuma ser, por natureza, alguém inquieto, capaz de enxergar soluções e associações naquilo que é padrão para a maioria.

Victor mazzei

Eu aposto que você, criativo, já pensou duas vezes antes de compartilhar um trabalho seu, ou mesmo definir a sua bio no Instagram. Se a gente for falar das interações para networking… Aí complica ainda mais, né?

Eu também já passei por isso. E as pessoas criativas em minha volta também já passaram. A boa notícia é, na real, essa aí mesmo: passa. Uma hora a gente se sente seguro o suficiente para estufar o peito e falar, sem culpa ou dúvida: eu sou um criativo. 

capa em estilo retrô dizendo "quando se considerar um criativo, com victor mazzei" e uma foto de Victor Mazzei, um homem branco, com cabelo baixo e vestido de uma blusa social azul escura

Claro que aqui não estamos falando de criatividade como qualidade – já vimos que todo mundo pode usar a criatividade no seu dia a dia. Estamos falando do nosso fazer, da nossa produção. Do nosso ganha-pão. Às vezes, nossa produção criativa nem é efetivamente nosso ganha-pão – mas é o porquê da gente trabalhar para sustentar esse sonho. Até porque qual criativo não sonha em ganhar dinheiro com o que faz? Ou ainda melhor: poder se sustentar através da criatividade!

Aqui no Aflora a gente acaba falando mais de comunicação criativa porque é o que temos propriedade para falar – afinal, somos formados em Publicidade e trabalhamos com isso atualmente. Nas demais áreas, talvez ainda somos como vocês: pessoas sonhando em poder trabalhar com música, escrita ou moda. E, mesmo que a gente consiga um dia, ainda vamos nos sentir inseguros para dizer que… somos criativos. 

Como podemos vencer essa insegurança? Como posso desenvolver um senso de autocrítica, ao invés de esperar essa confirmação de outras pessoas? Bom, ninguém melhor que um especialista em criatividade para falar sobre isso. Convidamos nosso ex-professor e para sempre uma inspiração, Victor Mazzei, para conversar com a gente sobre essas dúvidas.

o especialista em criatividade, Victor Mazzei

AFLORA: Em que momento você acredita que uma pessoa pode realmente se considerar um criativo? Há algum marco ou realização específica que ajude nesse reconhecimento?
Mazzei: Acho que é difícil delimitar se há um marco não. A pessoa criativa age em uma constante. Seu ato criativo não se restringe a um momento. A jornada precisa ser repleta de ações criativas. O sujeito criativo costuma ser, por natureza, alguém inquieto, capaz de enxergar soluções e associações naquilo que é padrão para a maioria. 

AFLORA: Muitas pessoas lutam contra a insegurança sobre seu trabalho criativo. Quais estratégias ou práticas você recomenda para ajudar os criativos a validarem seu trabalho?
Mazzei: No meu caso, eu costumo contar com a colaboração de amigos “curadores”. São pessoas em quem confio plenamente e a quem submeto minhas ideias antes de divulgá-las publicamente. Ter esse rol de “críticos” é muito importante pois ali mesmo já vamos fazendo os ajustes e correções de rota nas ideias. Sei que é um privilégio meu ter esse time super qualificado, mas talvez seja hora de todo mundo começar a montar sua equipe curadora. 

AFLORA: Como equilibrar a necessidade de validação interna com a busca por reconhecimento externo? Qual a importância de cada um no desenvolvimento de um criativo confiante?
Mazzei: Tópico importante. O sujeito criativo pode fazer de suas atividades algo para que ele/ela seja percebido(a). Tem um componente de vaidade, intercalado com o ímpeto pessoal de mudar cenários. De qualquer forma, é consensual que o ser criativo age no sentido de trazer ao mundo novos insights e novas soluções. Por mais que possa parecer que vá ganhando confiança, eu ainda acredito que o criativo sempre sente um friozinho na barriga antes de apresentar uma nova ideia. Ele está sempre se desenvolvendo e em formação.

AFLORA: Você acha que ter uma comunidade criativa pode ajudar os indivíduos a se sentirem mais seguros em relação ao seu trabalho? Como podemos fortalecer essas redes de apoio?
Mazzei: Sem dúvida. Fazer parte de uma comunidade criativa favorece o ecossistema. Conviver com seres criativos faz com que nos desenvolvamos ainda mais. Essas redes acabam fortalecendo o repertório cultural, bem como favorecendo o aprendizado constante. Sem contar que uma pitadinha de competição também faz bem para quem lida com a necessidade de pensar criativamente.

Uma entidade Criadora

São muitos os autores que definem a criatividade – e que ao longo dos anos ela vai ganhando novos sentidos. Mas uma, em particular, me intriga. É como a autora Julia Cameron a define em seu livro “O Caminho do Artista”: ela trata a criatividade como um Deus, uma entidade Criadora que rege todos nós; algo sagrado, divino. Eu discordo em partes.

deus criativo, do filme O Todo Poderoso

Mas pensar que todos nós, criativos, estamos ligados de alguma forma, me faz pensar sobre isso. Somos agraciados pelo mesmo sentimento bom quando temos aquela ideia incrível. Ou mesmo quando ela é rejeitada, seguida da nossa revolta. Talvez seja o nosso jeito latino de lidar com as coisas – mas uma certeza é que são poucas as experiências individuais no mundo da criatividade. 

Além dos vários exercícios que Cameron propõe em seu livro, mas há um em especial que me chama muita atenção. Ela lista algumas frases afirmativas que devemos dizer em voz alta para nós mesmos. Algumas vão de encontro àquilo que não concordo – sobre a entidade Criadora – e confesso que, por muito tempo, não consegui dizer essas afirmações em voz alta. No começo, elas ficaram só na minha cabeça.

pessoa se olhando no espelho e se maravilhando com o quão criativo ele pode ser - série Saved By The Bell

Mas é graças a essas afirmações que o Aflora nasceu. Afinal, somos criativos, bons no que fazemos e o pouco que temos para compartilhar pode ser algo grandioso para novos criativos. O que trazemos com esse projeto é tudo aquilo que gostaríamos de ter visto quando começamos nosso relacionamento com a criatividade.

Assine um contrato com você mesmo. “Posso me considerar um criativo quando…” e estabeleça metas alcançáveis. E se você precisar ouvir/ler algumas afirmações, aqui vão: se você se esforça para sentir-se seguro com seu trabalho, pode ter certeza que você já é um criativo. Há alguém que vai se deliciar com suas produções. Existe alguém que tá doido para conhecer as histórias que você quer contar. Você foi feito para ser criativo. Se você está disposto a criar, também está disposto a aprender.  

Beleza. Mas qual é a resposta?

Por mais insegura e desafiadora que seja a nossa jornada na criatividade, podemos encarar esse caminho como uma grande oportunidade de nos conectarmos mais com nós mesmos. Podemos achar nosso estilo, nossa voz, e, ainda mais: começar a gostar do que temos a contar.  

Tá, mas e agora? Já sou um criativo?

Lembra que falei sobre traçar metas alcançáveis? Aqui estão alguns exemplos:

  • Já que começamos a falar sobre as afirmações, escolha uma e a repita em voz alta diariamente. “Eu sou um criativo talentoso e minha voz merece ser ouvida.”
  • Compartilhe o que você faz! Se ainda não tem certeza, vale a leitura de “Mostre Seu Trabalho!”, de Austin Kleon.
  • Se conecte com outros criativos. Use nosso perfil no Instagram para conhecer outras pessoas na mesma jornada que você e troquem experiências. Ter uma rede de apoio torna o caminho mais legal. 🤘

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About Author

Caliari

Nascido em Cachoeiro com verões em Marataízes, carnavais em Piúma e novas raízes em Vitória. Apaixonado por música. Publicitário especialista em Conteúdo e idealizador do CACO.